Perdida em Nova York - E-Book / Projeto
Era tarde de domingo, um dia deprimente por sí só. Eu estava sentada em um dos bancos do Central Park, era verão de 2005. Alguns casais passeavam transbordando amor e carinho, familias brincavam com seus cachorros, crianças corriam, senhoras faziam caminhada e algumas pessoas faziam piquenique. Eu estava sozinha, nenhuma das minhas amigas estava livre naquele dia, uma estava com muita ressaca para pensar em sair de casa e a outra estava em algum bar chique com seu namorada ou sei lá onde com ele, prefiro nem imaginar.
Deixar a Inglaterra para morar nos estados unidos era meu sonho de infancia que eu havia conseguido realizar a apenas 7 meses, mas nada estava saindo de acordo com o plano. Me mudar arrumar um bom apartamento para morar, talvez dividí-lo com alguma amiga, o meu apartamento era um cubículo cheio das minhas tralhas, tão cheio e desorganizado quanto a minha cabeça. Ter um bom emprego agora que já havia concluído o ensino médio, eu estava desempregada desde que cheguei a NYC, tive muitas entrevistas mas nada aconteceu, nenhuma ligação ou e-mail com algo positivo. Na última semana eu havia participado de umaseleção para um escritório muito conceituado, próximo do meu cubículo no 5º andar
Capítulo 1 - Emprego Novo,Vida Nova
- Onde eu enfiei o outro pé desse sapato, Deus? - Eu mal podia acreditar, aquele era o meu primeiro dia no emrego novo, e eu já estava atrasada. E aquele era o sapato de salto mais confortável que eu tinha. Os meses em busca de um emprego não foram nada fáceis,ter que me virar sozinha, me fez amadurecer, porém, pode se dizer que dificuldade financeira é uma forma bem cruel de fazer alguém crescer. Ótimo! Agora não daria tempo de dar aquela arrumada no cabelo (muito menos de tentar fazer um daqueles penteados que eu assisti no vídeo de alguma blogueira famosa para o primeiro dia da faculdade).
- Droga, droga, droga!
Eu sempre fui muito desorganizada, meu quarto sempre pareceu uma daquelas cenas de jogos de "encontre o assassino". E aquela foi uma manhã comum pra mim, ou seja, estressante, corrida, bagunçada...
- E lá vamos nós - Coloquei um conjunto de saia lápis e terninho, ambos pretos. O máximo que consegui foi prender o cabelo em um rabo de cavalo alto, com a franja solta na testa. maquiagem leve, batom, rímel e blush, coisa que pra mim é bem difícil. O meu sapato de salto alto e grosso recém encontrado debaixo do armário da cozinha, (não me perguntem como ele fora parar ali) e uma bolsa preta, média, básica e decente. Visual perfeito, todos no escritório me adorariam.
Já estava na rua andando muito rápido, quando meu celular tocou.
- Alô. - Atendi rapidamente, sem nem ao menos ver de quem era a ligação inconveniente antes das oito da manhã de segunda.
-... - Nem um pio
-Alôoo - Aquilo não podia estar acontecendo
-Filha? - Respondeu a pessoa do outro lado da linha ex-muda.
- Oi mãe, estou super atrasada para o trabalho, a gente pode se falar na hora do almoço? - Falei sabendo que ela não desligaria enquanto não me passasse todas as recomendações possíveis sobre um emprego novo, como eu deveria me comportar no primeiro dia, sobre como eu não podia rir demais para as pessoas nem rir de menos pra não parecer anti-social, e etc...
- Lisa, não seja tão grossa comigo, você sabe que eu nem durmo quando você tem uma entrevista de emprego, imagina hoje que é o seu primeiro dia. - Minha mãe se sentia sozinha depois que minha irmã se casou, apesar de ela morar no mesmo bairro que ela em Londres e ir visitá-la todos os fins de semana levando os 2 filhos, Maggie e Tom, de 4 e 2 anos respectivamente. Eram os arteiros mais lindos que eu já vira, e minha mãe os adorava. Eu me mudei para Nova York havia 8 meses e ela agia como se tivessem 8 anos.
- Tudo bem, Mãe, desculpa. Como vão as coisas por aí? - Respondi enquanto desviava de milhões de pessoas apressadas com seus jornais e cafés nas mãos. os Nova Iorquinos eram sempre muito apressados, parece que eu já havia aprendido.
- Estão bem filha, Carol esteve aqui no sábado, almoçamos todos aqui, ela, as crianças e o John - John era o marido de Carol, loiro, alto, bonito e advogado bem sucedido, minha mãe vivia dizendo que eu devia arrumar um "John pra mim. - E me contou a novidade. - Disse com toda aquela empolgação matinal que só as mães amorosas conseguem ter.
- Que ótimo, dona Heloísa! E qual é a grande novidade? - Disse eu descrente de ouvir algo muito novo realmente, pois geralmente minha mãe dizia que tinha grandes novidades quando na verdade era algo do tipo: - Lembra daquele tio do avô do irmão do nosso vizinho de quando você tinha 3 anos e brincava na rua? Então ele morreu hoje, coitado, só tinha 95 anos! Mas dessa vez era diferente...
- Carol está grávida!
- Uau!!! Meu Deus Mãe isso é...
- O que querida?
- Bom, isso é... corajoso!
- Estamos todos tão felizes.
- Isso é mesmo ótimo Mãe. Obrigada por me contar, assim que eu tiver um tempinho livre dou uma ligada pra Carol e pro John para dar os parabéns. Agora tenho de desligar, porque estou dirigindo-Eu estava chocada demais pra continuar aquela conversa - Ah, Mãe! Eu estou com saudades...
- Ok, minha filha. Também estou com saudades. E boa sorte hoje. - Pude sentir a preocupação na voz dela, mas desliguei rapidamente só pra tentar fugir daquela sensação.
Voltei meus pensamentos para o meu trabalho e sobre o quanto isso seria incrível. Desde que me formei em Contabilidade não havia conseguido emprego em nenhum escritório reconhecido, nem não-reconhecido. Aquele seria meu primeiro emprego como contadora e eu estava prestes a começar a trabalhar em um dos melhores escritórios de nova York. Quanta sorte! Ou pelo menos era o que eu acreditara até então...
Eu morava a cinco quadras do prédio onde eu iria trabalhar, fiquei muito contente quando fui selecionada para esse escritório em específico, porque ele era um dos mais próximos do meu apartamento. Minha amiga Karla dizia: - Você é uma cretina sortuda! Eu ria muito dela, ela ela sempre tão divertida e tão louca.
Enfim, lá estava a entrada do prédio prateado, com mais de 30 andares parecia coisa de cinema! Minhas pernas tremiam de excitação e ansiedade.
Me dirigi a recepcionista, que estava com uma cara de ressaca, mais moral do que alcoólica.
- Bom dia!
- Bom dia. - respondeu secamente a senhorita peitos enormes / cabelo loiro gigante / olhos verdes
- Sou a Lisa. Hoje é meu primeiro dia...
- Décimo terceiro andar, segunda sala à esquerda.
- Obrigada!
Segui em frente para o elevador, por sorte eu era a única pessoa ali. Aproveitei para ajeitar meu cabelo atrás das orelhas e abaixar a saia.
A porta do elevador abriu. Hora do show!
Me dirigi a recepcionista, que estava com uma cara de ressaca, mais moral do que alcoólica.
- Bom dia!
- Bom dia. - respondeu secamente a senhorita peitos enormes / cabelo loiro gigante / olhos verdes
- Sou a Lisa. Hoje é meu primeiro dia...
- Décimo terceiro andar, segunda sala à esquerda.
- Obrigada!
Segui em frente para o elevador, por sorte eu era a única pessoa ali. Aproveitei para ajeitar meu cabelo atrás das orelhas e abaixar a saia.
A porta do elevador abriu. Hora do show!

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